Shut your eyes
And feel the chemicals collide
You and I tonight
You're the sugar in my high!

 


Dear Photograph,
I miss the touch of your wet nose on my hand whenever I’ve had a bad day. Our new dog never seems to notice… Missing you and hope you sleep tight. Janine

Dear Photograph,
I miss the touch of your wet nose on my hand whenever I’ve had a bad day. Our new dog never seems to notice… Missing you and hope you sleep tight. Janine

(Source: dear-photograph)

Houve um tempo em que, romântica, ela batia à nossa porta. Pedia-nos um prato de comida. Algumas vezes, suplicava por uma roupinha velha.

Conhecíamos os nossos mendigos. Cabiam nos dedos de uma das mãos. Eram parte da vizinhança. Ao alimentá-los e vesti-los, aliviávamos nossas consciências. Dormíamos o sono dos justos.

A urbanização do Brasil deu à miséria certa impessoalidade. Ela passou a apresentar-se como um elemento da paisagem, algo para ser visto pela janelinha do carro, ora esparramada sobre a calçada, ora refugiada sob o viaduto.

A modernidade trouxe novas formas de contato com a riqueza. Logo a miséria estava batendo, suja, esfarrapada, no vidro de nosso carro.

Os semáforos ganharam uma inesperada função social. Passamos a exercitar nossa infinita bondade pingando esmolas em mãos rotas. Continuávamos de bem com nossos travesseiros.

Com o tempo, a miséria conquistou os tubos de imagem dos aparelhos de TV. Aos poucos, foi perdendo a docilidade. A rua oferecia-nos algo além de água encanada e luz elétrica.

Os telejornais passaram a despejar violência sobre o tapete da sala, aos pés de nossos sofás. Era como se dispuséssemos de um eficiente sistema de miséria encanada. Tão simples quanto virar uma torneira ou acionar o interruptor, bastava apertar o botão da TV. Embora violenta, a miséria ainda nos excluía.

Súbito, a miséria cansou de esmolar. Ela agora não pede; exige. Ela já não suplica; toma.

A miséria não bate mais à nossa porta; invade. Não estende a mão diante do vidro do carro; arranca os relógios dos braços distraídos.


Folha de S. Paulo - 31/10/1994


“Red, white, blue’s in the skies,Summer’s in the air and baby,Heaven’s in your eyes.I’m your National Anthem.”
- National Anthem

“Red, white, blue’s in the skies,
Summer’s in the air and baby,
Heaven’s in your eyes.
I’m your National Anthem.”

- National Anthem